portal Espresso
 
   
Buscar
ASSINE FAVORITO CADASTRO ANUNCIE FALE CONOSCO
CADASTRO
   
  > Vantagens  
LEGENDA - Azul (Assinantes) e Verde (Cadastrados).
INDIQUE PORTAL ESPRESSO
 


De coadjuvante a protagonista, o café está presente em diversas produções cinematográficas e é ponto de partida para tramas mirabolantes, românticas e policiais

TEXTO Lucas Ribeiro IMAGEM Joana Resek

Cafeterias ficam bem ao lado de cinemas, porque um cafezinho é sempre uma boa pedida para antes ou depois de um filme, despertando os sentidos para a apreciação ou posterior discussão. Quando as luzes do cinema se apagam e a projeção começa, o café também está presente, dentro da tela. Cineastas sabem que uma bela imagem de uma xícara de café fumegante pode fazer o espectador "sentir" o cheiro da bebida e colaborar para que ele se envolva na cena, imaginando-se dentro da cafeteria onde os protagonistas vão finalmente se beijar, ou onde os assaltantes estão prestes a sacar seus revólveres e gritar "Everybody be cool, this is a robbery!"

As cenas cafeinadas na história do cinema são incontáveis, assim como, atualmente, os copos da Starbucks nos filmes americanos. De qualquer maneira, é incrível como a bebida e sua cultura sustentam cenas clássicas de grandes obras do cinema mundial, seguem aparecendo de novas maneiras e chegaram a ser o principal tema de um filme genial.

Uma aparição recente de café no cinema, por exemplo, transcendeu a tela em um misto de piada e jogada de marketing. O filme é Watchmen (2009), adaptação cinematográfica da história em quadrinhos cult de mesmo nome, uma visão brilhantemente distorcida da realidade e dos super-heróis. A cena: um resgate em um incêndio, realizado pelos heróis Dan e Laurie. A bordo da nave Owl, os sobreviventes ganham café da marca Nite Owl Dark Roast, produzido, é claro, pela Veidt Enterprise, a megacorporação onipresente nesse mundo fictício. Detalhe: esse café que ganha destaque na cena pode ser comprado de verdade e, o melhor, não se trata de uma estratégia de marketing desalmada, dessas que transformam filmes em grandes propagandas às quais o espectador paga pra assistir.

O Nite Owl Dark Roast foi lançado no mundo real pela OCC, marca de cafés orgânicos limitados de Clay Enos, não por acaso fotógrafo oficial do filme. A meta dessa empresa com cara de ONG é conseguir melhores preços para comunidades e fazendeiros que produzem grãos especiais, selecionados à mão, mas são o lado pobre de um mercado internacional multimilionário. Pra completar a ironia, OCC, um projeto carregado de arte e idealismo, é sigla para Organic Coffee Cartel.

No clássico Um Homem de Sorte ( O Lucky Man! , 1973), produção inglesa do diretor Lindsey Anderson, o café como negócio é o ponto de partida da trama inusitada. Malcolm McDowell, já conhecido pela atuação perturbadora em Laranja Mecânica, interpreta um jovem e ambicioso operário promovido a representante da multinacional Imperial Coffee. Em seu treinamento ele aprende a "verdade número um" da empresa: "uma xícara de Imperial Coffee é o único modo adequado de terminar uma refeição, seja num palácio ou na prisão".

Antes de pegar a estrada para desbravar novos mercados (e se desvirtuar completamente de seus objetivos iniciais), o jovem ainda se envolve com a chefe de relações públicas da corporação, com direito a beijo e degustação de café, simultaneamente! Daí em diante o filme toma direções que surpreendem o espectador até o final, fazendo críticas ao sistema capitalista. Tudo isso sem deixar de ser cômico, bizarro e musical, com Alan Price (ex-tecladista do The Animals) e sua banda tocando a trilha sonora e aparecendo em várias cenas.

Em alguns filmes a presença do café é sutil, mas fundamental, como é o caso em Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin , 1987), uma das obras cinematográficas mais conhecidas e belas de Wim Wenders. Damiel, vivido por Bruno Ganz, é um dos anjos que vagam por uma Berlim ainda dividida, no final da Guerra Fria. Os anjos transitam eternamente em um plano paralelo, invisível para os humanos, contemplando a cidade e seus habitantes como quem aprecia uma bela exposição de arte. Conseguem escutar os pensamentos das pessoas e dar conforto espiritual com um simples afago, porém, não enxergam as cores (grande parte do filme é em preto-e-branco) nem possuem a maioria dos outros sentidos humanos. Sendo assim, Damiel abdica de sua imortalidade para poder beber um simples café, podendo sentir seu gosto e temperatura no frio de Berlim.

Exagero meu, mas é exatamente essa a primeira coisa que ele faz logo que consegue abandonar o cargo divino em busca de uma paixão terrena, a trapezista francesa que ele vai finalmente encontrar em um show de Nick Cave and the Bad Seeds.

Uma das falas que despertam a tentação do anjo exalta a perfeita combinação entre café e cigarro. E foi exatamente essa combinação que inspirou o diretor Jim Jarmusch, amigo de Wim Wenders, a criar Sobre Café e Cigarros (Coffee and Cigarettes , 2003), finalmente um filme em que o café tem um dos papéis principais. Herói do cinema independente, Jarmusch é um dos poucos diretores donos, de fato, de seus filmes, evitando os esquemas dos grandes estúdios de Hollywood. Depois de percorrer os caminhos mais improváveis, tecnicamente suas produções se igualam às de blockbusters com orçamentos astronômicos.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
SEÇÕES
 
Edição 25 – Setembro / Outubro / Novembro 2009
ASSINE AGORA

PUBLICIDADE
 
 
 
         
FALE CONOSCO ASSINE EDIÇÕES ANTERIORES ANUNCIE EXPEDIENTE CADASTRO
CAFÉ EDITORA
powered by ContentStuff.com Copyright - Café Editora Ltda. - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.