O instituto agronômico de Campinas nasceu com a missão de estudar o cafeeiro e contribuir com os agricultores de todo o estado de São Paulo. Passou a ser referência internacional e hoje em quase toda plantação de café há um pezinho de uma cultivar que surgiu dali
TEXTO Mariana Proença IMAGEM Paula Rúpolo
Os estudiosos do café muito ouvem falar do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), uma referência unânime em todos os campos da pesquisa com o cafeeiro. Mas adentrar o mundo do Centro de Café Alcides Carvalho é uma viagem no tempo e nos processos complexos pelos quais passam a planta até transformar-se em um fruto, um grão, e bem mais à frente, na bebida café que chega às mesas de milhões de pessoas.
Em meio à urbanizada Campinas, interior de São Paulo, a 100 quilômetros da capital, um antigo prédio recuado e envolto por dezenas de espécies de árvores guarda mais de 120 anos de história. Não é exagero dizer que parte desta trajetória carrega uma revolução na cafeicultura nacional. Isto porque foram os pesquisadores de lá que, em décadas de estudo, desenvolveram novas cultivares de café que se adaptaram melhor ao clima, às pragas e que inauguraram a cultura do fruto em regiões nunca antes imaginadas. Além de desenvolver pesquisas que contribuíram para a maior produtividade e qualidade do cafeeiro. Dentre elas, as com o cereja descascado.
A MÃO DE DOM PEDRO
A caminhada pelo IAC começou pela sede e com um aplicado cicerone, o pesquisador Sérgio Parreiras Pereira. Há quatro anos no Instituto, o engenheiro agrônomo pertence à turma nova, de mais de setenta pesquisadores, que foram aprovados em concurso. Juntou-se a outros antigos e experientes pesquisadores do Centro de Café para uma nobre missão de realizar pesquisas no Brasil. Depois de conhecer os prédios históricos do lugar - fundados por Dom Pedro II e onde antigamente a cidade de Campinas não esperava chegar perto -, encontramos uma brecha na agenda do diretor-geral Marco Antonio Teixeira Zullo.
Com um quadro geral de mais de 1.100 profissionais entre pesquisadores e apoiadores que atuam em unidades diversas como cana, frutas, grãos e fibras, citros, etc., o instituto é um órgão estadual de São Paulo e trabalha essencialmente voltado ao agricultor. Para Zullo, "traz um conhecimento de ponta sem perder o foco na competência técnica". Isto porque grandes revoluções na agricultura brasileira, como na soja, cana e, claro, no café, saíram das mãos dos pesquisadores do IAC. "Um dos grandes prazeres de ser diretor é o respeito que a instituição tem", diz. Respeito este que é internacional no meio acadêmico e científico. "O instituto tem um grande papel a cumprir na sociedade." E é evidente nos olhos de todos os pesquisadores do Centro de Café a importância deste trabalho.
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