TEXTO Hanny Guimarães IMAGEM Clay Enos
Aos 42 anos, onze deles dedicados ao café, Gwilym Davies fez da tranquilidade adquirida com a experiência um trunfo. Sem alarde, o inglês chegou à final do Campeonato Mundial de Barista 2009, disputado em Atlanta (EUA), e conquistou o prêmio máximo da competição. O título de melhor barista do mundo, para ele, é apenas parte da premiação. O que mais ele destaca é o aprendizado. O jeito sereno e concentrado do campeão encantou os juízes, que até puderam participar da criação do drinque de assinatura. Mesmo com tempo esgotado - ultrapassados 13 segundos -, o barista executou cada ação com destreza e multiplicou boas notas, alcançando a vitória.
De Londres, Gwilym respondeu a uma entrevista, por e-mail, para a Espresso - claro, no tempo dele. Demorou um pouquinho e ficamos ansiosos, mas a espera foi justificada. O campeão mora em um barco e a conexão de internet da "casa" vai e vem como as ondas do mar. Além disso, responsabilidades o chamaram. Era preciso fazer o café da manhã do filho de 4 anos. A expectativa valeu a pena, como poderão conferir a seguir.
O que mudou na sua vida agora que ganhou o World Barista Championship 2009 (WBC)?
Tenho andado bem mais ocupado e recebido diversas oportunidades que eu não pensava serem possíveis.
Qual foi a sua primeira sensação após ganhar?
Completamente atordoante. As pessoas queriam me fazer perguntas e me parabenizar em meio aos flashes das câmeras.
Como você se preparou para a competição?
São onze anos de longos dias fazendo café para os clientes. Na verdade, duas semanas para o campeonato inglês e dez dias para o mundial. Eu faço café tipo padrão de competição todos os dias no trabalho, então tudo que tive que aprender foi a rotina da apresentação, mas eu bem que gostaria de ter tido mais uma semana.
Você fez a mesma apresentação nos dois campeonatos (nacional e mundial) ou mudou algo para agradar os diferentes juízes?
Esta foi a minha primeira vez competindo, então usei o campeonato inglês para me apresentar e explicar o que eu estive fazendo por onze anos na indústria do café e por que ainda sou tão apaixonado por isto. Eu também queria dizer como diferentes variedades e processos interferem no sabor do café. Já para o mundial, queria fazer algo novo, divertido e criativo, uma performance que me deixasse orgulhoso. Foi um risco, visto que não estava certo de que os juízes entenderiam o que eu queria fazer.
O que você achou de sua experiência no WBC?
Se pudesse, o que mudaria em competições como essa? Eu achei muito difícil emocionalmente e também acabou exercendo pressão não só em mim, mas em minha família e nos meus negócios. Apesar disso, tudo o que aprendi e as pessoas que conheci fizeram valer a pena. Foi a minha primeira competição, sim. Eu me identificava muito como um barista de cafeteria e nunca percebi o quanto estar envolvido em competições poderia ampliar minhas habilidades e minha perspectiva, até que conheci pessoas da torrefadora Square Mile que me mostraram isso. Se eu pudesse mudar algo? Bem, gostaria que fosse cada vez menos caro competir.
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Como você encontrou o café que usaria em sua apresentação?
Encontrei originalmente em uma mesa de degustação. Eu não estava pensando em usá-lo para a competição até aquele momento, mas com o WBC se aproximando... Eu estava bebendo e curtindo esse café em casa e ele também era parte do blend que eu uso no trabalho. Para o espresso usei o Del Obispo, 100% caturra lavado, da região de Huila, na Colômbia. Uma seleção de grãos produzidos por uma comunidade formada por 90 famílias de Sanjones e do Vale de Montañita.
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