Um passeio pelas principais ruas da primeira capital da Itália mostra pequenos recantos de arte, gastronomia e arquitetura diversas. Siga nosso roteiro pelas "corsos" desta cidade centenária
TEXTO e IMAGEM Juliana Lopes
Imagine-se aterrissando numa cidade circundada por um belo rio e Alpes que exibem suas gordas cristas brancas de neve. Uma cidade de atmosfera aristocrática com mulheres e homens elegantemente vestidos de preto e cinza. Uma cidade com mercados coloridos e organizados, cafés que vendem chocolates deliciosos, enotecas, portais que guardam lojas refinadas em quarteirões e quarteirões quadrados, talhados por ruas em linhas retas.
O monumento central da cidade, a Molle Antonelliana, não é católico, mas sim um edifício pagão, exuberante por fora, high tech por dentro. A segunda língua falada é o francês. Não estamos na Suíça, mas quase. É bem provável que à primeira vista pareça que estamos fora da Itália. Mas logo encontramos os queijos, os tomates e os aperitivos. É Torino seu nome original; para nós, Turim, no norte, nortíssimo, da Itália. Primeira capital da Itália, ex-cidade Fiat (quase não se fala da empresa por lá, os torineses chamam a cidade de "pós-industrial"), famosa por ser mais contemporânea que as outras, é cheia de contrastes entre o moderno e o antigo. Virou um importante destino turístico, principalmente depois das olimpíadas de inverno, em 2006. Para começar a entender Torino, capital da província do Piemonte, siga duas rotas urbanas para driblar a sensação, que geralmente tem quem lá chega, de que tudo está discretamente escondido.
PONTO DE PARTIDA
ESTAÇÃO PORTA NUOVA
Para quem chega de trem, ou não, impossível não conhecer a estação principal da cidade, que tem essa função desde os anos 1800. Quem planejou uma viagem a Paris e quiser esticar até a Itália saiba que, até Torino, são cerca de quatro horas de viagem no trem TGV, super-rápida, confortável e também econômica se a passagem for comprada com antecedência. A paisagem que se vê pela janela é estupenda: os trens passam no meio dos Alpes sempre cobertos pela neve. De Milão a viagem é ainda mais rápida: 1h45 (no máximo duas horas, contando com atrasos da Trenitália), passando por uma paisagem plana e belíssima principalmente na altura de Vercelli, com seus arrozais que alagam no mês de abril. Chegando à estação, sugiro duas rotas: caminhar em direção ao Rio Pó, para ver o Parque Valentino com quilômetros de verde e ter uma visão das colinas, ou em direção ao centro da cidade, sentido Via Roma, para ver os portais, as praças e a elegância. Os dois passeios se cruzam no final.
ROTEIRO 1
CAMINHAR PELA CORSO VITTORIO EMANUELE II
A avenida que leva o nome do primeiro rei da Itália é uma das principais de Torino. Partindo da estação Porta Nuova em direção ao Rio Pó (saindo da estação, vire à direita e continue na mesma calçada), o passeio pode começar com um café com croissants no Café Lumière, no número 35. Antes de ir embora, compre um saquinho com gianduiotti, pequenos e cremosos chocolates típicos da região, feitos com gianduia.
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