Visitamos uma plantação de chá em pleno centro do país que guarda segredos milenares desta bebida tradicional da região
TEXTO E IMAGEM Heitor e Silvia Reali
O arquipélago vulcânico de Taiwan, separado da China continental por pequena faixa de mar, guarda segredos de uma cultura milenar. Em seu interior, ondas verdes invadem vales e montanhas. São colinas forradas de camélias, das quais se produz um dos melhores chás do mundo, além de onipresentes na vida do taiwanês.
A paisagem é montanhosa. As plantações, como manda o figurino: em terraços; a altura dos arbustos parece medida a régua e uma única tonalidade de verde se estende até o horizonte. Ali entra-se num raro universo de sensações visuais e olfativas onde se pode saborear o aroma, propagado pelo vento.
Nas primeiras horas do dia nuvens baixas entrecortavam o grafismo desenhado pelos arbustos de camélias. Era quase impossível nos localizarmos, tamanha a neblina. Ao longe, mulheres vestidas com chapelões e com o rosto coberto por véus pareciam coloridos cogumelos gigantes. De perto, lembravam inglesas da época vitoriana, podando com amor ramos de seus jardins. Na verdade, eram camponesas que estavam em plena colheita das folhas de chá, pois sob sol forte ou chuva o trabalho deve ser adiado. Podem provocar ressecamento ou mofo nas folhas. As mulheres protegem os dedos com aros de papelão e cobrem os braços, mãos e principalmente o rosto, pois pele alva na cultura chinesa é requisito de beleza.
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