O café é produzido com grãos distintos, em solos, climas e sob peculiaridades diversas. Cada uma dessas características define o sabor final da bebida. É misturando grãos diferentes que se obtém o melhor de cada um deles para criar novas e complexas experiências sensoriais
TEXTO Patrícia Malta de Alencar IMAGEM Rafael Cañas PRODUÇÃO Marcia Asnis
Um blend de café é uma mistura de grãos diferentes. Assim como os vinhos têm o seu assemblage ou corte, os grãos de café podem ser misturados para obter o máximo de variedade e qualidade na xícara. Essa mistura pode ser feita entre diferentes tipos de grão ou entre cafés de regiões do mundo todo. O blend é, portanto, uma miscelânea e não uma composição de partes homogêneas.
"O que move a indústria de café é a possibilidade de oferecer esses produtos diferentes." Com isso, Paulo César Junqueira S. Junior, classificador e degustador da Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde (Cocarive) e da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês), quer dizer que a possibilidade inesgotável de criar composições novas é o que justifica a busca da qualidade e complexidade no blend de café. É inegável a existência de jóias raras de origem única - os chamados estate coffees -, inclusive em regiões produtoras brasileiras. Mas a questão é que são, justamente, raras. O maior entrave encontrado pelo mercado de estate coffees é a continuidade da produção daquela bebida com as mesmas características que possuía desde seu lançamento. Estes grãos ficam mais sujeitos às intempéries que atingem as safras de café anualmente, e assim, cada lote produzido, às vezes restrito a poucos talhões, é único.
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