
A CULTURA, A PERFEIÇÃO
Todos os aspectos da arte do chá de Taiwan, indistintamente, seja o sabor, a água utilizada, os aparelhos de chá, desenvolveram- se ao nível da perfeição. Aliados às técnicas para servir, estabelecem um alto grau ritualístico que intermedia as relações humanas. Um gesto das mãos, uma elegância de movimentos ou uma mesura com a cabeça são coisas que têm, por si, significado especial e precioso.
Tudo isso está presente nas empresas familiares que processam as folhas e recebem os visitantes para a degustação. Nelas pode- se acompanhar todo o processo de fabricação do chá, desde a aeração, secagem, torrefação, até a prensagem e o armazenamento. As diferenças entre os muitos tipos de chá disponíveis baseiam-se nos métodos particulares de processamento das folhas. E a chave da qualidade para todo o processo está na torrefação e fermentação. Por meio destas técnicas as folhas originalmente verdes tornam-se marrom-avermelhadas. Quanto mais tempo demorar esse processo, mais escura será a cor. Dependendo do tempo da torrefação e do grau de fermentação, a fragrância pode variar de floral para frutoso ou malte. O chá que não foi fermentado é o chá verde; o parcialmente fermentado é o oolong, também conhecido como Dragão Negro. Já o chá preto é o que passou por fermentação total. Entre eles, o mais apreciado é o oolong, exclusivo das plantações da China e de Taiwan, que permite mistura com flores secas de jasmim, crisântemo ou rosas e é muito aromático. Aí entra a arte familiar de produzir o chá. Cada um, entre os melhores produtores, tem um método particular guardado a sete chaves.
O cultivo de chá em Taiwan é classificado em: baixa altitude (até 500 metros acima do nível do mar e que permite até sete colheitas anuais), de média altitude (ao redor de 800) e de alta altitude, ou mais conhecido como chá das altas montanhas (acima de 1.000). Nestas últimas são feitas apenas duas colheitas anuais. A região de Lugu que visitamos é de média altitude, e ideal para os chás parcialmente fermentados, como o oolong. É nesta área que se produz o internacionalmente aclamado Oriental Beauty Tea.

CINCO SABORES
Só é chamada de chá aquela erva processada das folhas da Camellia sinensis, portanto lembre-se de que os nomes dos chás não se referem às variedades de plantas, mas apenas ao seu processo de fabricação. Desta maneira, aquele chazinho de camomila ou de erva-cidreira que se toma para dormir ou ficar mais zen não é chá, e sim infusão. Chineses, indianos e cingaleses (Sri Lanka) querem a primazia de ter descoberto o chá. Mas a dica certa vem do próprio nome da planta: sinensis, termo latino para chinês.
Assim, a lenda chinesa para a invenção do chá passou a ser a mais divulgada. A descoberta é atribuída ao imperador chinês Sheng Nung, que por volta de 2730 a.C. se encontrava à sombra de um arbusto preparando uma refeição. O vento fez algumas folhas desta pequena árvore caírem na água que ele fervia. O imperador se encantou com o aroma inebriante da infusão e resolveu prová-la. Achou deliciosa e a partir daí recomendou aos súditos esta bebida feita com as folhas daquele arbusto.

Deixando a historinha um pouco de lado, sabemos que no Oriente os alimentos sempre foram instrumentos de busca de saúde e bem-estar. Lá a abundância dos produtos expostos em mercados é tão grande que nos dá a impressão de que os ocidentais são iniciantes em matéria de alimentação e só conhecem 10% dos sabores e aromas do mundo. Cor, cheiro e sabor não são os únicos princípios a ser seguidos na gastronomia chinesa. A nutrição vai além: também é regida pela harmonia dos alimentos, que relaciona os cinco sabores - doce, azedo, amargo, picante e salgado - com as necessidades nutricionais dos órgãos do corpo. Os chineses usam também os alimentos para celebrar, fazer votos de longa vida, saúde e prosperidade. O arroz simboliza pureza e abundância, o frango tem os atributos de força, grandeza e liberdade, o peixe a fecundidade. O pêssego traz prosperidade e a laranja, sorte.
Com o chá não foi diferente. Proclama-se seu efeito "milagroso" de prolongar a vida. Não à toa, é a bebida nacional da China e também do Japão. E como foi que o chá chegou ao Brasil? No início do século XVII a Companhia das Índias Orientais introduziu-o pela primeira vez na Europa. Mas as boas línguas dizem que foram os portugueses e não os holandeses que trouxeram os primeiros carregamentos de chá para o Ocidente. Contudo, foram os ingleses que tornaram refinado o hábito de beber chá, o que ajudou a popularizar a bebida. Para o Brasil o chá foi trazido por d. João VI, em 1812, que mandou cultivar 6 mil mudas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Mas a tentativa fracassou. O mesmo aconteceu na capital paulista, em 1820, quando as primeiras mudas foram plantadas onde hoje é o Viaduto do Chá. A erva só criou raízes no Brasil com o trabalho dos agricultores japoneses no Vale do Ribeira, sul do Estado de São Paulo.
Os antigos sábios chineses eram conhecedores de que, além da tradição da cerimônia do chá, havia algum tipo de magia que conciliasse os assuntos celestiais e terrenos, para denominarem essa bebida de "paz".
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Após a colheita, as folhas do chá são dispostas sobre telas e remexidas várias vezes ao dia para arejar; dragão decora o telhado de um dos templos de Lugu, no centro de Taiwan; taiwaneses em cerimônia |
SERVIÇO
Como chegar
Para ir a Taipé, capital de Taiwan, é preciso fazer uma combinação de voos e se preparar para uma diferença de 11 horas a mais em relação ao Brasil. Não existe voo direto entre São Paulo e Taipé (se existisse, a viagem duraria em média 23 horas). Pode-se ir via Los Angeles, Amsterdã, Roma, Paris ou Frankfurt. O ideal é fazer uma parada numa dessas cidades.
A melhor opção é por agência de viagem, que consegue melhores tarifas. A Receptur - (11) 3259-4066 -, representante da China Airlines no Brasil (Cia. Aérea Taiwanesa), oferece também viagens personalizadas.
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