A mestre cervejeira Cilene Saorin realizou na última quarta-feira, 24 de fevereiro, a primeira degustação e harmonização de cervejas da Casa da Cerveja, em São Paulo (SP). No evento, além dos cinco rótulos apreciados, Cilene contou um pouco sobre a história da cerveja, falou das matérias-primas, das escolas cervejeiras e dos estilos da bebida.
"Os brasileiros ainda são iniciantes no mundo das cervejas especiais. Poucos sabem, por exemplo, que a cerveja pode ser envelhecida, assim como o vinho. Ou que existem duas maneiras para armazená-la: de pé, quando a rolha é metálica, e deitada, quando a rolha é de cortiça", conta a mestre cervejeira. .
A degustação foi voltada para os amantes e conhecedores da cerveja e seguiu o ritual de serviço da bebida indicado pela mestre: não tocar no copo ou na taça e deixar dois ou três dedos de distância da borda. Doçura, amargor, acidez, capacidade frisante, refrescância, adstringência e teor alcoólico foram algumas das características observadas pelos apreciadores.
Confira mais detalhes sobre cada rótulo:
1795
Cerveja de cor amarelo-dourada com sabor ácido, seco e sem residual de doçura. Originária da República Tcheca, ela segue o estilo Bohemian Pilsener, tem baixa fermentação e médio teor alcoólico, 4,7%. Seu aroma doce é causado pelos maltes tostados. Quando agitada, sua espuma forma anéis. Para a harmonização, a mestre cervejeira escolhei um mix de castanhas e uva passa.
Bamberg Rauchbier
Blend de maltes tostados, tipo Rauchbier. A cerveja brasileira tem cor castanho-avermelhada e notas defumadas. Com teor alcoólico de 4,8% ela segue rigorosamente a Lei de Pureza da Baviera. É seca e não tem sensação de doçura, além de ser ideal para amantes do charuto. Sua harmonização foi por semelhança: um mix de embutidos (salame, copa e presunto cru).
Lust
Quando aberta, faz um barulho característico de espumantes e quando degustada deixou uma sensação borbulhante na boca. Refrescante, de cor amarelo-ouro, com residual de doçura alto e aroma frutado, com sabor marcante de abacaxi. Sua fermentação é alta e a espuma cremosa e persistente. Esta cerveja estilo Bière Brut é a primeira brasileira produzida com método champenoise (depois de fermentada e maturada ela vai para a vinícola e fica por lá três meses, passando pelo processo de produção de champanhes). Cilene considera a Lust um rótulo ideal para comemorações. Sua harmonização, por contraste (salgado e doce), foi feita com lascas de parmesão. Seu teor alcoólico é altíssimo: 11,5%.
Chimay Cinq Cents
Uma das cervejas centenárias dos monastérios Trapistas, do estilo Tripel e originária da Bélgica. Bem seca, ela é ótima com aperitivos, por isso, foi harmonizada com lascas de gorgonzola. De cor dourada, ela não é ácida, mas tem finalização picante. Com aroma de lúpulo, ligeiro amargor e nota condimentada. Refermentada na garrafa e com teor alcoólico de 8%.
Meantime London Porter
Cerveja no estilo Robust Porter, da Inglaterra. Sua harmonização foi feita por contraste (doce e amargo), e a mestre escolheu pedaços de chocolate meio-amargo. De cor escura, marrom- avermelhado e com notas de chocolate e café. Tem espuma duradoura e aroma de malte levemente torrado. Com teor alcoólico de 6,5%, ela tem sensação residual seca e ligeiramente doce.
Na opinião de dois dos vinte e um participantes, Sandro Gonçalves, e Fabiano Wohlert, a melhor cerveja degustada foi a Bamberg Rauchbier. O primeiro diz que a cerveja forte combina mais com seu paladar, e o segundo que adora as cervejas defumadas.
A mestre cervejeira pretende promover encontros mensais sobre cerveja, sempre na última semana do mês. "Com este mesmo material apresentado na Casa da Cerveja podemos promover diversas palestras, para novas turmas e outras abordagens", finaliza Cilene Saorin.