O evento Indicação Geográfica: A Maior Florada dos Cafés da Mantiqueira foi realizado em Carmo de Minas (MG), no último dia 23 de julho, com o objetivo de conscientizar e orientar os produtores de café da Serra da Mantiqueira sobre a importância da Indicação Geográfica (IG) para a microrregião. A IG garantirá a 22 municípios da área o selo de produção de cafés especiais, requerido pela Associação dos Produtores de Café da Mantiqueira (Aprocam).
O IG é um certificado que confere identidade própria ao produto ou serviço para que suas características e qualidades possam ser vinculadas essencialmente a sua origem, sendo de responsabilidade do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), além de proporcionar diversos benefícios aos produtores de café. Tais como: aumento do valor agregado dos produtos; preservação das particularidades dos produtos, patrimônio das regiões específicas; estímulo a investimentos na própria área de produção: valorização das propriedades, aumento do turismo, do padrão tecnológico e da oferta de emprego; criação de vínculo de confiança com o consumidor, que, sob a etiqueta da IG, sabe que vai encontrar um produto de qualidade e com características regionais; melhora na comercialização dos produtos, facilitando o acesso aos mercados através da propriedade coletiva; maior competitividade no mercado internacional, uma vez que o IG projeta imagem associada à qualidade e tipificação do produto, promovendo garantia institucional da qualidade, reputação e identidade do produto.
O certificado pode ser da espécie: Indicação de Procedência (IP) ou Denominação de Origem (DO). O primeiro é o nome geográfico de uma localidade conhecido como centro de produção, fabricação ou extração de determinado produto ou prestação de certo serviço. A DO é o nome geográfico designado ao produto ou serviço, que possuem características e qualidades exclusivas ao meio geográfico.
No mercado cafeeiro só possui o certificado a região do Cerrado Mineiro. O IG é muito comum na Europa, no caso da França as regiões produtoras de champanhe e vinho possuem o IG, garantindo a valorização das bebidas no mercado e maior identificação com o consumidor.
O evento Indicação Geográfica: A Maior Florada dos Cafés da Mantiqueira, contou com palestras de Maria Alice Camargo Calliari, coordenadora geral de registros do INPI; Lucia Regina Rangel de Moraes Valente Fernandes, Indicações Geográficas do INPI e Nelson Guedes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Na ocasião, também foi realizada a apresentação do Projeto de Identidade, Qualidade e Rastreabilidade para embasamento da Indicação Geográfica dos Cafés da Mantiqueira, pelo Dr. Flávio Meira Borém, do Departamento de Engenheira da Universidade Federal de Lavras (Ufla), coordenador do projeto, que busca alcançar a Denominação de Origem (DO).
O projeto do IG será levado adiante pela equipe multidisciplinar, com representantes da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Embrapa Café, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Instituto Mineiro de Agropecuário (IMA), Faculdade de Agropecuária e Medicina Veterinária da Universidade de Brasilia (FAV/UnB); os quais assumem um papel relevante para o reconhecimento da qualidade, agregação de valor, aumento da competitividade da cafeicultura de montanha e fixação da mão-de-obra na zona rural.