Em junho deste ano foram realizados os mundiais de Latte Art, Cup Tasters e Coffee in Good Spirits, em Colônia, na Alemanha, durante a feira da Speciality Coffee Association of Europe (Scae). Eder Ferreira, da Blend Express, Paulo César Junqueira S. Junior, da Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde (Cocarive), e Marco de La Roche representaram o País, respectivamente. Conversamos com eles para saber como foi experiência e a impressão que eles tiveram dos campeonatos.
EDER FERREIRA
O 5th World Latte Art Contest teve 31 competidores e terminou com o barista belga Peter Hernou como campeão. O cearense Eder, bicampeão brasileiro de latte art, ficou em 12º lugar. Além dos cappuccinos e machiattos, o barista preparou a bebida Iracema, com geleia de pimenta, doce de cupuaçu, espresso e leite vaporizado. O latte art foi de tulipa em todas as bebidas.
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| Eder Ferreira |
O que você achou de participar de uma prova internacional?
É diferente porque aqui você trabalha com o seu material. Lá eu tive 20 minutos para me adaptar às xícaras de machiatto e cappucino que são fornecidas pela organização, além de regular o moinho e testar a vaporização do leite, que também era dado por eles.
Como era o leite?
Eles fornecem dois tipos de leite integral, os mais usados na Alemanha, e o barista pode escolher qual deles usar. O leite é extraordinário, diferente do que a gente trabalha aqui. Você vaporiza e ele tem consistência da primeira à última gota. É dez vezes melhor.
Qual café você usou?
Eu usei o café Casablanca, de Divinolândia, Alta Mogiana. O Cleber Soler me apoiou muito e eu senti que era um café apto para usar no campeonato.
Qual foi sua impressão geral?
Eu fiquei muito feliz de ter participado de um mundial e ver que somos capazes de competir tranquilamente. Uma grande falha do brasileiro é valorizar muito o estrangeiro e nos desvalorizar. Eu estava confiante porque vi que era tão bom quanto eles. Quem foi para final fez exatamente o que eu fiz, mas com mais precisão. Não é uma coisa tão extraordinária.
MARCO DE LA ROCHE
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| Marco De la Roche |
O brasileiro ficou por um triz da final do 5th World Coffee in Good Spirits Championship, alcançando a 7ª colocação dentre as 24 vagas. Marta Piigli, da Estônia, foi a vencedora. Além do irish coffee obrigatório, ele preparou o drinque de assinatura que conferimos no brasileiro, chamado Kinkan Espresso Martini, com vodca Absolut tradicional e sabor baunilha, café coado, licor Drambuie, açúcar de baunilha e laranjas kinkan. Hoje Marco dá consultoria e cursos na área de bar e mixologia.
Como você avalia a prova internacional?
O campeonato daqui é exatamente igual ao de lá no que diz respeito às regras. Mas o clima é completamente diferente. É um campeonato europeu, todos os juízes são europeus, então os competidores de outros continentes têm algumas barreiras para enfrentar. Uma delas é servir receitas para o paladar europeu. A minha juíza sensorial era da Islândia. Então uma coisa que eu aprendi para o próximo campeonato é que eu tenho que me proteger dessa possibilidade de entregar um drinque para um suíço e ele não entender minha receita. Tem que ser bem universal. Minha sorte foi participar do staff do mundial de latte art um dia antes da prova. Eu conheci os juízes e organizadores, então quando cheguei na apresentação estava completamente em casa, não fiquei tenso.
Qual bebida é mais importante na prova?
O irish coffee é mais difícil porque será comparado com o dos outros. É metade da nota e eles acabam avaliando por comparação. Já o drinque de assinatura, independentemente do que você servir, vai ser novidade.
Qual café usou?
Eu usei um café de Carmo de Minas [MG], um blend que o Fábio Ruellas fez para mim. Estava fantástico! No meu campeonato o café não está cem porcento no foco, eu não entrego uma xícara só com o café lá dentro. Mas ao mesmo tempo, se eu não tiver um café super trabalhado, eu não consigo servir um bom irish coffee.
Qual foi sua impressão geral?
Eu acho que a nossa expectativa [dos brasileiros] não era tão grande, então o resultado foi bom para o investimento que existe. Na próxima competição, a gente não vai ter que começar do zero. Uma boa forma de trabalhar isso é os ex-campeões ficarem à disposição dos novos campeões para dar uma sequência; já teremos uma bagagem. Acho que dá para voltar no ano que vem de Londres com um troféu!
PAULO CESAR JUNQUEIRA JR.
No 6th World Cup Tasters Championship participaram 34 competidores e quem levou o ouro foi a russa Valentina Kazachkova. O mineiro PC ficou em 16º lugar e agradece o apoio que teve dos colegas Luiz Salomão (Bunn) e Georgia Franco (Lucca), Cocarive, Prefeitura de Carmo de Minas, Café Cristina e Associação Brasileira de Café e Barista (ACBB).
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| PC |
Como foi o preparo antes da prova?
Eu consegui um patrocínio com o Luis Salomão. Ele disponibilizou uma máquina da Bunn para eu fazer o treinamento aqui na cooperativa, a mesma que foi usada no campeonato brasileiro. Ele também trouxe amostras de cafés para mim, do México, da Guatemala. A Georgia também me deu um pouco de Etiópia e Quênia.
Como funciona a prova de cupping?
As apresentações eram de quatro em quatro pessoas e não era confronto direto: a classificatória era por tempo e acerto. No dia da prova a gente recebe uma cartilha com as origens dos 16 cafés, mas em cada etapa vêm oito para a mesa, que podem repetir ou não, é aleatório. O café é filtrado e trazido do backstage; eles servem as quatro mesas simultaneamente, para que não haja variação de café de um competidor para o outro. O café vem bem quente e uma pessoa tira um pouco da espuma que forma na xícara e checa a temperatura. Isso demora uns dez minutos, depois libera para a prova. Aí tem a triangulação, dois cafés são iguais e um diferente [que deve ser identificado].
Qual foi o maior desafio na sua prova?
Aqui a gente lida com os cafés brasileiros, então tem um conhecimento maior das bebidas que serão provadas lá na hora [no nacional]. O Brasil tem uma região produtora muito grande, então os cafés são diferentes, é bem distinto um Sul de Minas de um Mogiana, Cerrado, Bahia ou Paraná. Nesse campeonato eram 16 cafés: oito ou nove da Índia, muito parecidos um com o outro; de El Salvador, do Peru, Bolívia, cafés que também se mostraram parecidos na hora da prova. Tinha só um café do Brasil, de Poços de Caldas [MG].
Os cafés eram bons?
Teve cafés bons e ruins porque lá o café é pago. Quem estiver interessado em demonstrar seu produto pode pagar uma taxa de 500 euros para participar. Então eu posso pegar um café rio do Brasil e mandar para lá. Eles colocaram todos os tipos de variedade de arábica e ainda dois tipos de conilon e cafés naturais. Estavam mais preocupados com a variedade dos cafés.