Na última segunda-feira, 25 de maio, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé) realizou o 3º Fórum & Coffee Dinner, em São Paulo (SP).
O evento debateu as tendências da produção, do consumo e do mercado de café e apresentou os desafios do Brasil e de outros países para enfrentar o ambiente de crise econômica e seus desdobramentos no agronegócio café.
Dentre as palestras do Fórum, ministrantes internacionais como o gerente-geral da Federación Nacional de Cafeteros de Colômbia, Gabriel Silva, apresentaram o impacto da economia mundial no mercado de café e o projeto de renovação que será realizado no seu país, que consiste em aumentar a exportação do café torrado e moído e, assim, com mais valor agregado. O objetivo da Colômbia é chegar à produção de 17 milhões de sacas, em 2014, frente as 11,5 milhões de sacas em 2008.
O holandês da Ned Coffee BV, Hidde Eikelboom, analisou o mercado de robusta e falou sobre o crescimento deste cultivo em países exportadores e que em 10 anos a produção da variedade no Brasil aumentará em 25%.
Já Paul Fisher, da torrefadora americana Eight O'Clock Coffee, trouxe os números do mercado dos Estados Unidos. Fisher acredita que o consumo mundial do café não será afetado significativamente com a crise, mas que nos EUA já há uma diminuição no food service, em torno de 5%, de 2007 para 2008. Lá o consumo fora do lar ainda está no topo da lista como opção para tomar café, mas cresce a compra do produto em supermercados para o preparo em casa, já que 82% da população americana é consumidora de café. A preferência é pelo torrado e moído, com 68% do mercado, já os sachês e cápsulas não decolaram no país, com apenas 1% de adesão. Segundo Fisher, 89% dos consumidores tomam o produto no café da manhã, contra 11% no almoço. O torrefador está otimista com o mercado, apesar da crise e acredita que o consumidor americano já educou seu paladar para o sabor do café de qualidade.
Para finalizar o panorama de consumo de café, Carlos Brando, diretor da P&A Consulting, Marketing and Trading Agribusiness, falou sobre os países emergentes e produtores e apresentou um resumo dos programas realizados nesses países para o aumento do consumo do café. Dentre eles, México, Costa Rica, Colômbia e Índia tem grande potencial para trazer novos consumidores. Nos mercados emergentes, Brando apontou que o solúvel é a porta de entrada para o café e que a crise pode levar a população mundial a mudar o tipo de café, mas não parar de consumir o produto.
Dividido em dois momentos, o Fórum de Debates e o Jantar do Café, o 3º Coffee Dinner reuniu mais de 700 pessoas, representantes da cadeia cafeeira nacional e mundial. Na Sala São Paulo, à noite, os presentes puderam acompanhar a premiação Empreendedores do Café, que homenageou diversos representantes da cadeia exportadora do produto, como cafeicultores, pesquisadores, empresários e empresas multinacionais que atuam no Brasil.