Em entrevista coletiva, organizada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) com o diretor-executivo Nathan Herszkowicz, na última quarta-feira, 18 de março, a Espresso acompanhou o balanço do mercado de café brasileiro em 2008 e as estimativas para os próximos anos.
O consumo interno em 2008 foi de 17,66 milhões de sacas de café (60 kg), o que representa um aumento de 3,21% em relação ao ano-base 2007 (17,11 milhões de sacas) ou 550 mil sacas. E o consumo per capita do café torrado foi de 4,51 kg ou 76 litros por pessoa.
A entidade tinha a expectativa de chegar ao final de 2008 com um consumo interno de 18,1 milhões de sacas, em busca de tornar o Brasil o maior país consumidor da bebida em 2010 (superando os Estados Unidos), com 21 milhões de sacas, meta estipulada em 2004 e que fica mais distante agora. O diretor admitiu que a meta era desafiadora e justificou a desaceleração da curva de crescimento pelo consumo abaixo do esperado nos primeiros quatro meses do ano e também no final de 2008, este freado pelo susto da crise econômica. Para 2009, a projeção permanece em torno de 3%, o que levaria ao consumo de 18,2 milhões de sacas. Para 2010 ainda não há previsões.
O preço do produto para o consumidor final manteve-se estável, a R$ 10,11/kg, nas prateleiras dos supermercados, valor 33% maior que em junho de 1994, na época do Plano Real. A cesta básica, no mesmo período, aumentou quase 300%. As vendas do setor atingiram R$ 6,5 bilhões em 2008 e a expectativa para 2009 é de R$ 6,85 bilhões.
As exportações de café torrado e moído totalizaram US$ 35,6 milhões ou 135 mil sacas contra US$ 26 milhões em 2007, o que representa um crescimento de 37% - desde 2002 esse aumento foi de 800%. A meta da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) para 2009 é de US$ 42 milhões, ou seja, 160 mil sacas, com um aumento de 20%. As exportações de café torrado e moído são destinadas, majoritariamente, aos Estados Unidos (70%), seguidos da Itália, Argentina e Japão. Em 2008 também foi registrada a importação de US$ 6 milhões em café torrado (cerca de 40 mil sacas), enquanto em 2007 esse valor era de US$ 2,5 milhões.
A Abic continuará perseguindo o aumento do consumo interno para atingir as 21 milhões de sacas almejadas, mas enquanto uma primeira meta apontava o ano de 2010, estimativas atuais falam em 2011 ou 2012. "Nós desenhamos para esse novo período uma estratégia que é buscar mercados novos e perseguir o mercado do café superior e gourmet", afirma o diretor.
No Chile, uma das novas investidas, a entrada será por meio do segmento da alta gastronomia. Já existem parcerias mais adiantadas com a Achiga (associação dos chefs de cozinha do Chile) e a Indústria Cafés do Brasil (a principal distribuidora chilena de alimentos para o varejo supermercadista e de food service). Outros países, como Turquia e Cingapura, também receberão maior atenção: "São países que compram o produto em grande quantidade, têm um baixo consumo interno, mas grande atividade reexportadora". A Abic investirá na colocação do produto brasileiro gourmet nesses mercados por meio da alta gastronomia e depois na sua exportação.
O ano-base da entidade vai de novembro a outubro, mas o diretor já afirmou que desde o final dessa apuração foi observada continuidade do crescimento no consumo.
Novas projeções devem ser divulgadas em abril próximo, mas a expectativa é de um ano conservador. |