O leilão internacional via internet Cup of Excellence, realizado na tarde desta terça-feira (13), confirmou a preferência dos japoneses pelos cafés especiais brasileiros. Dos 23 lotes finalistas do 9º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil, 18 foram arrematados por compradores do Japão. Destes lotes, sete foram para a empresa Wataru, de Tokyo. Participaram do pregão eletrônico, promovido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês) em conjunto com a Alliance for Coffee Excellence (ACE), compradores do Brasil, Estados Unidos, Europa e Ásia.
O lote de 22 sacas do primeiro colocado no concurso, do produtor Ralph de Castro Junqueira, de Carmo de Minas (região Sul de Minas Gerais), foi adquirido pelas empresas Maruyama Coffee, Orsir Coffee e Intelligentsia Coffee Roasters and Cafe Imports por US$ 26,336.42 (US$ 9,05 por libra/peso). Paulo César Junqueira Silva Júnior, classificador e provador da Cocarive, que participou neste ano pela primeira vez como juiz do Cup, definiu o perfil sensorial do primeiro colocado, que segundo ele era uma unanimidade: "O café apresentava uma acidez brilhante, era frutado, de corpo aveludado e com notas aromáticas que lembravam limão".
"Os preços médios do leilão ficaram em US$ 818,78 a saca, o que sem dúvida é excelente, tendo em vista o cenário financeiro mundial turbulento", avalia o consultor e classificador Sílvio Leite, da Agricafé, coordenador do concurso e do pregão deste ano. O preço mínimo de abertura foi de US$ 2,00 por libra/peso, e fechou com a média de US$ 6,13 por libra/peso. "Sem dúvida, a safra 2008 resultou em cafés que são verdadeiros diamantes, e isso foi reconhecido pelos compradores", completa.
O lote de 36 sacas do segundo colocado no concurso, do produtor Homero Teixeira de Machado Júnior, da Fazenda Recreio, de São Sebastião da Grama (região Mogiana paulista), foi arrematado pela Nippon Coffee Trading por US$ 30,238.60 (US$ 6,35 por libra/peso), valor inferior ao do terceiro colocado, do produtor Antônio Márcio Pereira de Castro, da Fazenda Tijuco Preto, de Carmo de Minas (Sul de Minas), cujo lote de 19 sacas foi comprado pela UCC Ueshima Coffee por US$ 22,745.09 (US$ 9,05 por libra/peso), o mesmo valor recebido pelo lote campeão. "Isso pode acontecer porque o café do terceiro colocado devia ter características que podiam ser melhor aplicadas para o perfil do consumidor desse comprador", explica Paulo César.