O grupo Tristão têm origem em um bazar que remonta à 1935: a casa Misael, criada por José Ribeiro Tristão em Afonso Cláudio, no Espírito Santo. O negócio, que chegou a ter oito estabelecimentos no interior do Estado, aceitava o café como moeda de troca e já na década de 1950 o produto tornou-se o principal negócio da empresa.
A partir de 1960, a empresa começou a exportar a commodity; e em 1971 é inaugurada na cidade de Viana a Realcafé Solúvel do Brasil, utilizando como matéria-prima o café conilon capixaba. O próximo passo foi abrir filiais na Grã-Bretanha e em Nova York (EUA). Em 1978, a companhia alcançou o topo da lista dos exportadores brasileiros de café e até hoje está entre os principais. Em 1987, Jônice Tristão, segundo na linha sucessória, passou o controle das empresas no Brasil e no exterior para a terceira geração, seus filhos Ricardo, Ronaldo e Sérgio, que assumiram as atividades de exportação, a indústria do solúvel e as marcas do varejo.
No ano em que a empresa comemora 75 anos, a Espresso conversa com o economista Sérgio Tristão, que está à frente de algumas das 12 empresas do grupo, incluindo as operações no Brasil.
Como surgiu a Realcafé?
Quando se começou a produzir conilon no Espírito Santo, tínhamos a matéria-prima apropriada para a indústria do solúvel. A Realcafé foi, então, a primeira indústria desenvolvida para trabalhar com esse café. De 2000 a 2004 a gente restaurou a fábrica inteira e dobramos a capacidade de produção. Hoje a fábrica produz 9 mil toneladas de café solúvel por ano.
Como é a divisão de atividades na área do solúvel?
No mercado interno, trabalhamos com a nossa marca própria, a Cafuso Realcafé, e com marcas de terceiros. Os nossos principais clientes são a Melitta e o Café Pilão, para quem fazemos a solubilização e o envase. Para o exterior, também vendemos cafés já solubilizados, mas em big bags, não envasados.
Quanto ao café verde exportado, qual o volume anual e os principais compradores?
Hoje exportamos em torno de 1,3 a 1,5 milhão de sacas por ano. Nossos principais clientes são as grandes marcas internacionais, como Kraft, Sara Lee e Nestlé. Em geral, o mercado europeu é mais importante para nós como comprador de café verde; já de solúvel são os Estados Unidos.
E no varejo, o que é oferecido?
As marcas do varejo são destinadas ao mercado do Espírito Santo. Trabalhamos com uma grande família, desde o café standard até o gourmet. O último lançamento que fizemos foi o café em dose única, no modelo desenvolvido pela illy. O blend tem café capixaba, baiano e do Cerrado Mineiro. O grão do Espírito Santo é conilon, mas um conilon cereja descascado.
Como vocês chegaram nesse blend?
Ele foi desenvolvido por dois especialistas, o Sílvio Leite e o Evair Melo. O Silvio, como um bom baiano, não podia deixar de insistir num café baiano [risos]. Teve o lado regional [na escolha do conilon capixaba] e ainda a presença da doçura do café do Cerrado.